terça-feira, 25 de agosto de 2009

Transtorno da Personalidade Paranóide



Transtorno da Personalidade Paranóide:

PARANÓIA, Segundo o dicionário Michaelis pode ser definida como Psicose caracterizada por um conceito exagerado de si mesmo e idéias de perseguição, reivindicação e grandeza, que se desenvolvem progressivamente, sem alucinações.

Caros internautas dando prosseguimento às nossas reflexões quanto ao transtorno da personalidade, postamos hoje o que se convencionou chamar pela psicologia de TRANSTORNO DA PERSONALIDADE PARANÓIDE. Em primeiro lugar deixa-me relembrar que estamos tratando de enfermidades psicológicas, de patologias propriamente ditas, assim, pode ser que eventualmente ao se delinear teoricamente um transtorno da personalidade, é possível que um leitor ou outro encontre “pinceladas” de coincidências entre a sua personalidade e algum transtorno aqui narrado, ressalta-se que coincidências comportamentais mínimas não são suficientes para se “diagnosticar” esse ou aquele transtorno, para isso não há falar-se de um outro caminho que não seja um diagnóstico preciso e completo por parte de um profissional da psicologia ou psiquiatria, logo caro leitor não se apresse em atemorizar o seu coração se porventura determinadas peças diagnósticas se aproximarem de “vós me cê”.

Vamos lá...De certa maneira páginas policiais vez por outra recheiam seus noticiários com relatos de crimes passionais, dentre os crimes mais comuns praticados por paranóicos temos: homicídio, lesão corporal de toda espécie, ameaça e até seqüestro!!!

Os indivíduos portadores desse transtorno são peritos em provocar grande sofrimento nos seus parceiros (as), esposos (as), namorados (as) etc. É patente no portador do transtorno da personalidade paranóica a desconfiança crônica e generalizada, diuturnamente sentem-se sentem traídos, enganados pelos outros! Imagine-se na situação corriqueira de vender um carro usado para um paranóico, tudo o que você disser a respeito do veículo será considerado reticente e inverdade! Agora, imagine-se casado com um indivíduo que não se faz de rogado, mas vasculha dia e noite a caixa postal de seus e-mails, a memória de seu telefone celular, cheira a roupa em busca de cheiro de terceiros, verifica costumeiramente sua bolsa e carteira, te segue às escondidas para confirmar se estás te dirigindo para os lugares informados, escola, academia, faculdade, igreja etc. “Inferno vital”, não seria uma expressão exagerada para denominar a vida de quem se relaciona afetivamente, comercialmente e até familiarmente com o paranóico. Chego literalmente a não recomendar o casamento a uma noiva que porventura tenha em mãos o diagnóstico profissional de que seu noivo é portador desse transtorno, é séria candidata a sofrimento. O Portador desse transtorno precisa continuamente de acompanhamento psicoterápico e medicação.

Para finalizar vale ressaltar que o paranóico tem forte tendência ao acúmulo de rancor, sentimento de posse e ciúme descontrolado. Muitas vezes agem discretamente na sua conduta paranóica, transferem para os que o cercam culpa, faz leituras subliminares fantasiosas de conduta inadequada e de falta de lealdade dos outros, possuem ainda um componente de autoritarismo extrínseco, portando-se com arrogância, inflexibilidade, hostilidade e sarcasmo. Por último, acrescente-se que por serem excessivamente desconfiados de tudo e de todos, produzem intrigas e desavenças entre as pessoas de um mesmo setor de serviço ou família, rígidos com os outros são extremamente sensíveis quando alvos de críticas.


“ O DSM refere também que particularmente em resposta ao stresse, as pessoas com a Perturbação Paranóide da Personalidade podem sofrer episódios psicóticos muito breves, durando de minutos a horas e em algumas circunstâncias esta perturbação pode aparecer como antecedente pré-mórbido de Perturbação Delirante ou Esquizofrenia. As pessoas com esta perturbação podem desenvolver Perturbação Depressiva Major, ter um risco aumentado para Agorafobia e Perturbação Obsessivo-Compulsiva, ocorrendo frequentemente Alcoolismo e Abuso ou Dependência de Substâncias”.

American Psychiatric Association (2002). DSM-IV-TR. Lisboa: Climepsi Editores.
Pio Abreu, J. L. (2002). Introdução à Psicopatologia Compreensiva (3ª ed.). Lisboa:
Fundação Calouste Gulbenkian.
Pires, C. (2003). Manual de Psicopatologia: uma abordagem biopsicossocial.
Leiria:
Editorial Diferença.

Paulo César barros Monteiro

http://blogdopaulomonteiro.blogspot.com

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