
Prezados internautas, continuando na esteira da proposta deste blog, passo a refletir com vocês a respeito do palpitante e difícil tema: ABORTO. Assim, postarei alguns textos que primarão fundamentalmente pela transdisciplinariedade temática:Ótica jurídica, Biológica, Psicológica e Teológica.
Aspectos “bio-psico-teológico e legais” do aborto.
Introdução
Analisamos nesta texto o tema aborto. Sem sombra de dúvidas um dos temas mais polêmicos nos dias de hoje! Ao lado de temas como clonagem humana, uso de células tronco com fins terapêuticos, eutanásia etc; O aborto se apresenta em alto relevo. Pelo menos sob o ângulo de quatro “pilastras” mestras se debate o tema aborto, a saber, Biologia, Psicologia, Teologia e Legislação. Provado está que cada uma destas “pilastras” se mostram indissociáveis quando se discute o tema, a exclusão de qualquer uma delas torna o debate trôpego e ilegítimo.
É ponto pacífico e inarredável e positivo o fato de que governo brasileiro , através do Ministério da Saude passou a tratar o tema aborto como uma “Questão de saúde pública”. S obressaem-se aqui os seguintes argumentos: “O Aborto é a 4ª. Causa de morte de mulheres no Brasil”, “De maneira indiscriminada o aborto continua sendo feito em circunstâncias deploráveis sob o aspecto dos cuidados mínimos de técnica médica e higiene”, “Temos milhares de crianças de rua, abandonadas em casas-abrigos e orfanatos”, “A mulher tem direito sobre o seu corpo, faz dele o que bem entender, ela precisa ter em suas mãos a decisão de ter ou não um filho (a)” etc.
O Que é o aborto?
A palavra aborto provém do latim ab-ortus, ou seja, “privação do nascimento”.
Aborto, é assim a interrupção da gravidez., (espontânea ou provocada, sendo neste segundo caso identificada medicamente e legalmente como interrupção voluntária da gravidez – IVG) de uma gravidez antes do final do seu desenvolvimento normal, sendo que muitas pessoas o definem como a morte do embrião ou feto.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), só existe tecnicamente um aborto quando o peso do embrião ou feto ultrapasse quinhentos gramas. Este peso é atingido quando a gestação se encontra por volta da 21ª. semana de gravidez.
Espécies de Aborto
Classificação:
• Aborto Espontâneo, também chamado de involuntário ou casual: ocasionado a partir de situações naturais, alheias à vontade humana.
• Aborto provocado, é o aborto efetuado de maneira absolutamente deliberada. Que se subdividem em:
1. Aborto sentimental ou “honoris causa”: Quando a gravidez é conseqüente de estupro;
2. Aborto eugênico, eugenésico ou profilático: motivado por anomalias ou deficiências físicas do nascituro;
3. Aborto por causas econômicas: quando os genitores não têm condições econômicas para manter a criança;
4. Aborto terapêutico: quando é o único meio para preservar a vida ou a saúde da gestante.
Quanto ao tempo de gestação, pode-se dizer:
• Aborto subclínico: O abortamento que acontece antes de quatro semanas de gestação;
• Aborto precoce: Entre quatro e doze semanas;
• Aborto tardio: após doze semanas.
Aborto Espontâneo
Normalmente é fruto da ação natural do próprio organismo em busca da defesa de sua própria sobrevivência e conservação da espécie. De maneira geral dá-se quando o organismo identifica que o ovo, embrião ou feto apresenta anomalias genéticas, má formação e patologias adquiridas graves e irreversíveis.
A título de breve comentário são as seguintes causas: Anormalidades cromossômicas; Infecções causadas por microorganismos como agentes desencadeadores da rubéola, varíola, malária, toxoplasma etc.; Alterações anatômicas maternas como miomas,má formações uterinas etc. Patologias maternas como doenças endócrinas, tireoidopatias, diabetes. Drogas, agentes químicos, agentes ambientais como poluição severa etc.
Aborto Provocado ou Interrupção
Voluntária da Gravidez (IVG)
Ocorre por ingestão de medicamentos ou através de métodos mecânicos.
Exemplos de alguns procedimentos empregados para a interrupção da gravidez:
1. Administração de fármacos que provocam a interrupção da gravidez e expulsão do nascituro. Primordialmente acontece nos três primeiros meses de gestação. Normalmente é complementada pela aspiração mecânica do conteúdo interno do útero.
2. Curetagem. Corte do nascituro em pequenos pedaços seguida de raspagem ou aspiração mecânica.
3. Dilatação e Evacuação do nascituro. Provoca-se a dilatação cervical através de medicamentos e se retira o nascituro com a utilização de equipamentos cirúrgicos apropriados.
4. “Pesada” – Utilizada em situações de miséria absoluta em que se produz mecanicamente agressão ao nascituro através de socos e ponta-pés! “Técnica” utilizada normalmente pelas meninas de rua.
5. Substância salínica – Injeta-se substância salínica no útero, matando assim o nascituro para em seguida retira-lo mecanicamente. Etc.
O Aborto sob a ótica Biologia
Repousa neste quesito a grande discussão quanto ao início da vida propriamente dito. Recentemente o Supremo tribunal Federal organizou um Encontro de especialistas em vida biológica, ou seja médicos e cientista para discutir dentre outros temas, qual é exatamente o momento em que se inicia a vida. Alguns apontam, o instante da fecundação primário, ou seja, o instante em que o espermatozóide penetra o óvulo, permitindo assim o contato entre os núcleos de ambos, outros apontam o início da vida como sendo o da “nidação”, ou implantação do ovo fecundado na camada compacta do endométrio, fenômeno biológico que normalmente ocorre na 2ª. semana após a fecundação, outros ainda defendem a formação da estrutural cerebral como o início da vida, fenômeno que se inicia por volta 5ª. semana. De uma forma ou de outra, aqui também se debate as diferentes maneiras de se obstar a gravidez química e biologicamente, estamos falando dos métodos contraceptivos como: vasectomia, laqueadura, pílulas anticoncepcionais, camisinha, pílulas do dia seguinte, DIU, camisinha e outros.
Efeitos biológicos do aborto
• Risco real de morte ou deformidades (como esterilização) em virtude do uso de ervas, medicamentos, instrumentos comuns e cirúrgicos, infecções, hemorragias.
• Câncer de mama, a comunidade médica vinculada à oncologia tem estudado a relação causal entre o aborto induzido e o risco de desenvolvimento de câncer da mama. No início da gravidez, o nível de estrógeno e prolactina se elevam, para garantir o crescimento das glândulas mamárias e a conseqüente produção de leite materno. A hipótese de relação positiva entre o câncer de mama e o aborto sustenta que se a gravidez é interrompida antes da completa diferenciação celular, então existirão relativamente mais células diferenciadas vulneráveis ao câncer. Observa-se que até este momento esta hipótese é fruto tão somente de hipótese científica.
Prof. Paulo César Barros Monteiro
Continua...
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