(Tela de Salvador Dali)O Aborto sob a ótica Psicológica
O ser humano jamais poderá ser encerrado numa masmorra tão somente biológica, somos diferenciados dos animais exatamente porque dispomos de uma complexa e intrigante estrutura psíquica. Muito mais do que um feixe de músculos, nervos e ossos, somos portadores da Psiquê, cujo expressão grega nos remete a alma ou mente. Assim, a ligação entre nossa estrutura biológica e psicológica ultrapassa qualquer possibilidade de medição tecnológica moderna, ou seja, não há falar-se em equipamentos até agora desenvolvidos com capacidade para mensurar os graus e níveis de influência que existe na conexão corpo-mente. O que não podemos negar jamais é a repercussão, o impacto intrínseco e extrínseco exercido reflexamente quando uma dessas porções é atingido interna ou externamente. Não há falar-se em vida psicológica absolutamente neutra após a experiência bio-psíquica do aborto, seja espontâneo ou provocado. A Psiquê jamais “esquecerá” que um dia o corpo, porção a que está inarredavelmente ligada, foi domicílio ainda que por poucos dias ou semanas, de um ovo, embrião ou feto; esta “lembrança psíquica” é fruto de toda uma “usinagem” hormonal e fisiológica que o corpo humano feminino naturalmente experimenta desde o instante em que se dá a fecundação. Neste sentido, além dessa “preparação” biológica, há automaticamente uma preparação psicológica, muitas vezes contida, impúbere ou inconsciente mas presente na estrutura psíquica do organismo feminino gerador com a função de lhe garantir condições de desenvolvimento mental, psicológico e terapêutico. Assim, a interrupção provocada e espontânea de uma maneira ou de outra interferirá na psiquê da mulher. São absolutamente comuns as internações psiquiátricas e acompanhamentos psicológicos por anos a fio, de pacientes que um dia abortaram e jamais conseguiram livrar-se de memórias psíquicas agressivas. Outras, passam a experimentar síndromes psicológicas as mais variadas desde o desenvolvimento da esquizofrenia paranóide à síndrome de pânico, depressão, insônia profunda etc. Como se sabe, o aborto normalmente é uma decisão que precisa ser tomada num espaço de tempo muito curto, assim, não há falar-se em preparação psicoterápica para o abortamento (no sentido preventivo). Questões ligadas à conduta ética individual bem como a princípios de cunho familiar e religioso formam esse “grosso caldo” de emoções psicológicas de difícil superação.
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