O Aborto sob a ótica da Igreja Cristã
É fato que nós vivemos num país essencialmente cristão, somos formados por uma imensa maioria de pessoas ligadas as mais variadas denominações religiosas, denominações essas essencialmente cristãs, destacando-se a religião católica com 75% da população, seguida por cerca 20% de evangélicos/protestantes e uma minoria de budistas, hinduístas, seicho-no-iê e ateus.
As religiões cristãs adotam como bússola orientadora de suas concepções teológicas e espirituais o que diz a bíblia sagrada. Neste sentido vejamos o que diz a bíblia sobre o tema.
A despeito da bíblia não proibir diretamente a prática através de um texto como “Não abortarás”, traz em consonância o mandamento “Não matarás”, Êxodo 2.13.
A Perspectiva Bíblica sobre os filhos. As crianças são consideradas na bíblia como uma dádiva, presente de Deus ou herança de Deus (Gn 33.5; Sl 113.9; 127.2). Na bíblia é Deus quem abre a madre e permite a gravidez (Gn 29.33; 30.22; i Sm 1.19-20). Não ter filhos era considerado uma maldição, já que o nome da família não poderia ser perpetuado.
Para a igreja cristã em todas as suas vertentes, há concordância quanto ao início da vida, todas defendem o momento da fecundação como sendo o instante em que se inicia a vida do nascituro. Ao contrário do que diz grande parte dos médicos e cientistas da área, Para alguns a vida se inicia com a NIDAÇÃO (Após a fecundação nas trompas, o óvulo fecundado (ovo) inicia um deslocamento lento para chegar até o útero. Chegando ao útero ele precisa se fixar ao útero para que a gravidez possa evoluir, esse processo de fixação chama-se nidação). Para outros, a vida se inicia apenas e tão somente quando se formam as estruturas neurais e as ondas cerebrais elétricas se iniciam, o que se dá após a oitava semana de gestação.
Os cristãos combatem veementemente o aborto e o fazem a partir da perspectiva bíblica, são muitos os textos sagrados utilizados como argumentos, Salmo 139.16 – “Os teus olhos viram o meu corpo ainda informe, e no teu livro todas estas coisas foram escritas, as quais iam sendo dia a dia formadas quando nem ainda uma delas havia sido formada”. Lucas 01.39-41, “E naqueles dias, levantando-se Maria, grávida de Jesus, foi apressada às montanhas, a uma cidade de Judá, e entrou em casa de Zacarias, onde saudou sua esposa Isabel, e aconteceu que esta ao ouvir a saudação de Maria, sentiu que a criança que estava no seu ventre muito se mexeu, e Isabel ficou cheia do Espírito Santo”.
No Império Romano, o aborto era praticado livremente, mas os cristãos se posicionaram contra a prática. Em 314, o Concílio cristão de Ankara, decretou que deveriam ser excluídos da Santa Ceia por 10 anos todos os que praticassem o aborto.
Naturalmente, num país como o Brasil de forte presença cristã, jamais a igreja poderá ser alijada do debate em torno desse tema, precisa ser ouvida, mas também é verdade, que a igreja precisa jogar fora o manto da hipocrisia e da histeria, e tratar do assunto também como uma questão de saúde pública grave, já que a maioria das mulheres que morrem em consequência do aborto realizado sem qualquer cuidado médico ou de higiene é composta de mulheres pobres, solteiras e sem plano de saúde, o exemplo mais gritante é o das meninas que moram na rua que ao engravidarem, pedem para que seus colegas de rua “chutem” seus ventres até que tenham hemorragia e assim abortem “naturalmente”! Por outro lado, proliferam as clínicas clandestinas com todo aparato médico necessário para a realização de aborto em mulheres que podem secretamente pagar R$ 5.000,00 reais pelo “procedimento cirúrgico” !
Nenhum comentário:
Postar um comentário