segunda-feira, 21 de setembro de 2009

“Filhos, melhor não tê-los...”


“Filhos, melhor não tê-los...”

“Menino gago é agredido na saída da escola”, “Mãe obriga filha a agredir colega na frente da escola”, “Menino de 09 anos flagrado com revólver na sua mochila”, “Professor acusado de abusar de aluno de 10 anos de idade”, “Aluna arremessa celular no rosto do professor”.

Por incrível que possa parecer todas essa manchetes são verdadeiras e têm em comum o fato de terem sido registradas no ambiente escolar! Nossas crianças, adolescentes e jovens passam parte significativa do dia na escola, cursinhos ou faculdades, ambiente antes quase sagrados, passam diante nossos olhos para a categoria de território perigoso e inóspito; Por algum tempo se imaginou que episódios dantescos como esses estariam circunscritos a escolas públicas, entretanto, as manchetes vem demonstrando que mesmo nas escolas privadas que servem às classes médias e altas, ainda que pulverizadas de seguranças, câmeras, pedagogos e psicólogos de plantão o número de eventos desta natureza vem aumentando a cada dia. Neste sentido, se unem pais e mães de todas as classes sociais e regiões do país na terrível sensação de que nada mais garante que seus filhos e filhas voltem pra casa, ilesos física e emocionalmente no final do expediente escolar.

De maneira geral, apontam-se elementos que corroboram brutalmente com estes dados assustadores, a saber, saída da mulher de casa para o mercado de trabalho, farta e contínua disseminação das mais diferentes drogas, mudanças de paradigmas familiares quanto aos usos e costumes, má formação acadêmica dos professores, baixos salários dos educadores, falta de política pública clara e séria do ministério da educação etc. Ninguém duvida que estes fatores isolados ou agregados entre si são matizes motoras desse ambiente bélico que se transformou a escola, antes templos da educação, hoje trincheiras da violência e porta de entrada para a drogadição, o que todos concordam é que já passou da hora da sociedade civil unir-se como um todo em busca não mais de diagnósticos, porque já são fartos, mais fundamentalmente para reagir com a mesma força e vigor com que esta praga se alastra, em outras palavras, chega de pensar, de chororó, de investigar, de diagnosticar! Agir é a palavra de ordem, as mudanças da sociedade são irreversíveis, a mulher não mais trilhará o caminho de volta pra casa e, ninguém pode lhes imputar isso como crime, a droga infelizmente não deixará de ser produzida, os parâmetros familiares serão cada vez mais multifacetários. A mim me parece, que agir neste caso está muito mais ligado às autoridades governamentais deixarem de tratar o problema da droga tão somente como um problema policialesco e passarem a investir pesadamente em aumento de carga horária na escola, não de aulas de disciplinas curriculares comuns, mais de atividades esportivas, criadoras, artísticas e musicais; agir também me parece descredenciar e fechar faculdades, universidades e centros universitários com baixa qualidade na formação de professores e pedagogos, aplicar cada vez mais sistemas que premiam bons educadores e afasta os maus educadores, cabe também ao estado, a função de punir com seriedade pais e mães relapsos na formação e educação, responsabilizando-os civil e criminalmente quando liberam seus filhos ainda muito jovens para a compra e consumo de bebidas alcoólicas e derivados, quando não lhes garantem proteção contra pedófilos, muitas vezes parentes próximos que abusam física e emocionalmente de seus filhos e filhas! Quanto ao papel da família na educação dos seus “rebentos”, cumpre aos pais assumirem o papel de pais, educando, acompanhando, fazendo-se presente no dia a dia dos seus filhos, repelindo a sanha mercantilista de muitos pais e mães, que com a nobre desculpa de “que trabalham demais para manterem o padrão econômico sustentável de seus filhos” na prática os abandona. Absolutamente nada, nem nenhuma penitência a posteriori vai minorar a dor de uma pessoa, que um dia foi alvo de bullying na escola, de um abuso físico e emocional de um adulto criminoso. Filhos, filhas dádivas preciosas e fontes das maiores e mais imperscrutáveis alegrias que um ser humano pode experimentar, melhor não tê-los jamais, se for para serem abandonados, ainda que por um segundo sequer. Que Deus tenha misericórdia dos pais.

Paulo César Barros Monteiro

http://blogdopaulomonteiro.blogspot.com

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